A Gramática regula a linguagem e estabelece padrões de escrita e da fala para os falantes de uma língua. Graças a ela, a língua pode ser analisada e preservada, apresentando unidades e estruturas que permitem o bom uso da língua, da língua portuguesa, no nosso caso.
É papel da Gramática ultrapassar a visão reducionista que faz da língua um aglomerado de regras prescritas pelos estudiosos do sistema linguístico, devendo ser capaz não apenas de prescrever o idioma, mas também descrevê-lo, preservá-lo e, sobretudo, ter utilidade para os falantes. Sabemos que a Gramática apresenta as regras, mas quem movimenta e faz da língua um sistema vivo e mutável são os falantes, ou seja, os agentes da comunicação. Não é de agora que sabemos que a língua é um organismo vivo e, por esse motivo, é natural que exista um distanciamento entre o que é prescrito pelas normas e o que é efetivamente utilizado pelos seus falantes. Daí a existência de várias gramáticas para estudar a mesma ou várias línguas.
A Gramática Normativa é muito utilizada em sala de aula e para diversos fins didáticos. Ela busca a padronização da língua, indicando através de suas regras como devemos falar e escrever corretamente.
Nela, a abordagem privilegia a prescrição de regras que devem ser seguidas, desconsiderando os fatores sociais, culturais e históricos aos quais estão sujeitos os falantes da língua. A Gramática Normativa vai estudar a Fonologia através da ortoépia (estudo da pronúncia correta dos vocábulos), da prosódia (determinação da sílaba tônica) e da ortografia (representação correta da língua escrita). Na Morfologia ela estuda a forma dos vocábulos, as classes de palavras e as classes gramaticais. Por fim, a Sintaxe estuda a relação entre as palavras de uma oração ou relação entre as orações de um período a partir de regras pré-determinadas com relação à concordância, à regência e à colocação pronominal.
A Gramática Descritiva ocupa-se da descrição dos fatos da língua, com o objetivo de investigá-los e não de estabelecer o que é certo ou errado. Enfatiza o uso oral da língua e suas variações. Ela analisa um conjunto de regras que são seguidas, considerando as variações linguísticas da língua ao investigar seus fatos, extrapolando os conceitos que definem o que é certo e errado em nosso sistema linguístico.
A Gramática Histórica estuda a origem e a evolução histórica de uma língua, isto é, investiga a origem e a evolução de uma língua, representando os estudos diacrônicos.
A Gramática Comparativa estabelece comparação da língua com outras línguas de uma mesma família. No caso de nossa língua portuguesa, as análises comparativas são feitas com as línguas românicas. Ela dedica-se ao estudo comparado de uma família de línguas. O Português, por exemplo, como acabamos de ver, faz parte da Gramática Comparativa das línguas românicas.
Veremos um pouco mais sobre cada uma dessas gramáticas, separadamente, em artigos posteriores.
Cabo Frio, RJ, Brasil - Graduada em Letras Língua Portuguesa e suas Literaturas pela Universidade Estácio de Sá - Campus Cabo Frio
Professora Helen
terça-feira, 25 de abril de 2017
"Dividir em dois" e "dividir por dois", qual a diferença?
Antes de mais nada, devemos considerar que o verbo "dividir", como tantos outros, tem várias acepções. Na Matemática, no entanto, o seu significado é único, preciso, que se refere a uma das quatro operações da aritmética. Qualquer número é divisível por outro, desde que esse outro não seja zero. Usa-se, então, nesse caso, a preposição POR. Dividindo esse número por dois, temos outro número que é a metade daquele número inicialmente tomado.
Fora da Matemática, o verbo dividir tem mais o sentido de rachar, partir, separar em partes. Não há o conceito de número envolvido no processo. Quando dizemos: "o impacto foi tão violento que o carro foi dividido em dois", está claro que as duas partes não coincidem em forma, massa ou volume. Está claro também que esse "dois" quer dizer "duas partes" e não "dois carros". "Dividir em dois", então, é o caso em que algo de forma física é separado em duas partes, não sendo necessariamente uma parte igual à outra.
Fora da Matemática, o verbo dividir tem mais o sentido de rachar, partir, separar em partes. Não há o conceito de número envolvido no processo. Quando dizemos: "o impacto foi tão violento que o carro foi dividido em dois", está claro que as duas partes não coincidem em forma, massa ou volume. Está claro também que esse "dois" quer dizer "duas partes" e não "dois carros". "Dividir em dois", então, é o caso em que algo de forma física é separado em duas partes, não sendo necessariamente uma parte igual à outra.
Te amo ou Amo-te?
Não erre mais!
Te amo: De acordo com as nossas regras gramaticais, não se pode iniciar frases com pronomes oblíquos. É erro, portanto, grafar desta forma.
Amo-te: É a forma correta e aceita.
Te amo: De acordo com as nossas regras gramaticais, não se pode iniciar frases com pronomes oblíquos. É erro, portanto, grafar desta forma.
Amo-te: É a forma correta e aceita.
quinta-feira, 30 de março de 2017
Maracutaia
ma.ra.cu.tai.a
Substantivo feminino
(Origem obscura)
[Brasil, Informal]: negócio ilícito ou ação ilegal, especialmente em administração pública.
Sinônimos: falcatrua, fraude, tramoia, conchavo, arranjo, negociata
Exemplo de uso:
Enquanto alguns estudavam intensamente para a prova, outros armavam uma maracutaia para ter acesso ao gabarito.
Substantivo feminino
(Origem obscura)
[Brasil, Informal]: negócio ilícito ou ação ilegal, especialmente em administração pública.
Sinônimos: falcatrua, fraude, tramoia, conchavo, arranjo, negociata
Exemplo de uso:
Enquanto alguns estudavam intensamente para a prova, outros armavam uma maracutaia para ter acesso ao gabarito.
Trabalhos acadêmicos e norma culta da língua portuguesa: um crescente desastre
No entanto, com o crescente número de faculdades que não exigem padrões adequados dos conhecidos TCCs (Trabalhos de Conclusão de Curso), tem se espalhado, no âmbito das bibliotecas universitárias online ou plataformas dedicadas à publicação de trabalhos diversos, um número sem igual de trabalhos de monografias de graduação, dissertações de mestrado e até teses de doutorado com problemas diversos e perigosos de revisão textual. Perigosos porque comprometem, por vezes, a própria teoria aplicada!
Muitos desses problemas são oriundos, inclusive, do que chamamos de "hipercorreção". Em geral, a hipercorreção é comum naquelas pessoas que acreditam ter o domínio da língua culta e, por isso, deslizam com grande frequência. Isso porque, como sabemos, a língua é um organismo vivo e mesmo os dedicados ao seu estudo incessante sabem da dificuldade que é manter um texto de acordo com os padrões da norma culta.
Como já cientes dessa dificuldade, os revisores profissionais preocupam-se em revisar sua própria revisão, consultando, sempre que necessário, gramáticas e dicionários diversos, além de teóricos da língua. Essa postura, no entanto, não é comum entre aqueles que já se acreditam como dominadores da norma culta.
Outro erro comum nesses trabalhos especializados é o fato de ignorarem, por vezes, o leitor leigo, aquele não especialista no assunto ou tema em questão. Todo trabalho acadêmico dever ser direcionado a leitores diversos, sejam eles de quais áreas forem. Isso quer dizer que devemos eliminar todos os jargões? Não necessariamente. Mas que, no uso desses, é necessário que se explique para quem não é versado nos mesmos estudos o significado do termo utilizado, uma contextualização bem elaborada ou, do contrário, trata-se de um pedantismo que pode comprometer todo o trabalho.
Os grandes escritores profissionais, intelectuais, editores e tradutores sabem da importância do revisor de textos, mas ainda falta às universidades o estabelecimento de padrões de exigência que impeçam a aceitação de TCC's sem uma qualidade mínima de clareza, coerência e coesão e aos profissionais o entendimento de que nem mesmo quem escreve bem está apto a revisar um texto!
- Texto extraído -
quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
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