segunda-feira, 25 de julho de 2016

Pronomes possessivos

São aqueles que indicam posse, em relação às três pessoas do discurso. São eles: meu(s), minha(s), teu(s), tua(s), seu(s), sua(s), nosso(s), nossa(s), vosso(s), vossa(s).

Empregos dos pronomes possessivos:


O emprego dos possessivos de terceira pessoa seu, sua, seus, suas pode dar duplo sentido à frase (ambiguidade). Para evitar isso, coloca-se dele, dela, deles, delas à frente do substantivo, ou troca-se o possessivo por esses elementos.

- Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos.

De quem eram os documentos? Não há como saber. Então a frase está ambígua. Para tirar a ambiguidade, coloca-se, após o substantivo, o elemento referente ao dono dos documentos:
- Se for Joaquim: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dele;
- Se for Sandra: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com seus documentos dela.


Pode-se, ainda, eliminar o pronome possessivo: Joaquim contou-me que Sandra desaparecera com os documentos dele (ou dela).

É facultativo o uso de artigo diante dos possessivos quando estes acompanharem um substantivo. Caso estejam desacompanhados de substantivo, o artigo será obrigatório.

- Trate bem seus amigos.
Trate bem os seus amigos.

O pronome possessivo acompanha o substantivo amigos.

- Não falei de (ou domeu irmão e sim do seu.

O pronome possessivo meu está acompanhado do substantivo irmão, por isso o artigo é facultativo. Já o pronome seu não está acompanhado de substantivo algum. O artigo é, portanto, obrigatório.

Não se devem usar pronomes possessivos diante de partes do próprio corpo.

- Amanhã, irei cortar os cabelos. (e não "os meus cabelos")
- Vou lavar as mãos. (e não "as minhas mãos")
Menino! Cuidado para não machucar os pés! (e não "os seus pés")

Não se devem usar pronomes possessivos diante da palavra casa, quando for a residência da pessoa que estiver falando.

- Acabei de chegar de casa.  (e não "de minha casa")
- Estou em casa, tranquilo. (e não "em minha casa")

Pronomes de tratamento

São pronomes empregados no trato com as pessoas, familiarmente ou respeitosamente. Embora o pronome de tratamento se dirija à segunda pessoa, toda a concordância deve ser feita com a terceira pessoa.

Usa-se Vossa... quando se conversa com a pessoa e Sua... quando se fala da pessoa.

- Vossa Senhoria deveria preocupar-se com suas responsabilidades e não com as de Sua Excelência, o Prefeito, que se encontra ausente.

Eis uma pequena lista de pronomes de tratamento:

Vossa Excelência (V. Ex.a): Presidente da República, senadores da República, ministro de Estado, governadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, embaixadores, cônsules, chefes das casas civil e militar, desembargador da Justiça, curador, promotor, oficiais generais (até coronel)


Vossa Magnificência (V.M.): Reitores, vice-reitores e pró-reitores de universidades


Vossa Senhoria (V.S.a): Diretores de autarquias federais, estaduais e municipais, outras patentes militares,


Meritíssimo Juiz (M): Juiz de Direito


Vossa Santidade (V. S.): Papa


Vossa Eminência Reverendíssima (V. Em.a Revm.a): Cardeais, arcebispos e bispos


Vossa Reverendíssima (V. Revm.a): Abades, superiores de conventos, outras autoridades eclesiásticas e sacerdotes em geral.


Vossa Majestade (V. M.): Reis e imperadores


Vossa Alteza (V. A.): Príncipe, arquiduques e duques

O pronome relativo cujo

Este pronome indica posse (algo de alguém). Na montagem do período, deve-se colocá-lo entre o possuidor e o possuído (alguém cujo algo).

Por exemplo nas orações seguintes:

Antipatizei com o rapaz. Você conhece a namorada do rapaz.

O substantivo repetido rapaz possui namorada. Deve-se, então, usar o pronome relativo cujo, que será colocado entre o possuidor e o possuído: 
 algo de alguém
=
 alguém cujo algo
 a namorada do rapaz
=
o rapaz cujo a namorada

Não é adequado, porém, usar artigo (o, a, os, as) depois de cujo. Ele deverá contrair-se com o pronome, ficando assim: 
cujo + o = cujo;
cujo + a = cuja;
cujo + os = cujos;
cujo + as = cujas.

Então 
 algo de alguém
=
 alguém cujo algo
 a namorada do rapaz
=
o rapaz cuja namorada


- Antipatizei com o rapaz cuja namorada você conhece.

Outros exemplos:

- A árvore foi derrubada. Os frutos da árvore são venenosos.

Substantivo repetido = árvore - o substantivo repetido possui algo. 
algo de alguém
=
alguém cujo algo
os frutos da árvore
=
a árvore cujos frutos

Somando as duas orações:

- A árvore cujos frutos são venenosos foi derrubada.

O artista morreu ontem. Eu falara da obra do artista.

Substantivo repetido = artista - o substantivo repetido possui algo. 
algo de alguém
=
alguém cujo algo
a obra do artista
=
o artista cuja obra

Somando as duas orações:

- O artista cuja obra eu falara morreu ontem.

Observe que, nesse último exemplo, a junção de tudo ficou incompleta, pois a segunda oração é

Eu falara da obra do artista,

porém, na junção, a prep. de desapareceu. Portanto o período está inadequado gramaticalmente. A explicação é a seguinte: Quando o verbo da oração subordinada adjetiva exigir preposição, deve-se colocá-la antes do pronome relativo. Então, haverá o seguinte:

- O artista de cuja obra eu falara morreu ontem.

As pessoas estão presas. Eu acreditei nas palavras das pessoas.

Substantivo repetido = pessoas - o substantivo repetido possui algo. 
algo de alguém
=
alguém cujo algo
as palavras das pessoas
=
as pessoas cujas palavras

Somando as duas orações:

- As pessoas cujas palavras acreditei estão presas.

O verbo acreditar está usado com a prep. em, portanto ela será colocada antes do pronome relativo:

- As pessoas em cujas palavras acreditei estão presas.

Obs: Todos os pronomes relativos iniciam oração subordinada adjetiva, portanto todos os períodos apresentados contêm oração subordinada adjetiva.

Os pronomes relativos qual, onde e quanto

O Pronome Relativo Qual

Este pronome tem o mesmo valor de que e de quem. É sempre antecedido de artigo, que concorda com o elemento antecedente, ficando o qual, a qual, os quais, as quais.

Se a preposição que anteceder o pronome relativo possuir duas ou mais sílabas, só poderemos usar o pronome qual, e não que nem quem. Então só se pode dizer o seguinte: 

O juiz perante o qual testemunhei.
- Os assuntos sobre os quais conversamos.
E não O juiz perante quem testemunhei nem Os assuntos sobre que conversamos.

Outro exemplo:

- Meu irmão comprou o restaurante.
-Eu falei a você sobre o restaurante.

Substantivo repetido = restaurante
Colocação do pronome após o substantivo = Meu irmão comprou o restaurante que ...
Restante da outra oração = ... eu falei a você.
Junção de tudo = Meu irmão comprou o restaurante que eu falei a você.

Observe que o verbo falar, na oração apresentada, foi usado com a preposição sobre, que deverá ser anteposta ao pronome relativo: 

Meu irmão comprou o restaurante sobre que eu falei a você.

Como a preposição sobre possui duas sílabas, não se pode usar o pronome que, e sim o qual, ficando, então, assim:

- Meu irmão comprou o restaurante sobre o qual eu falei a você.

************************************************************

O Pronome Relativo Onde

Este pronome tem o mesmo valor de em que. Sempre indica lugar, por isso funciona sintaticamente como adjunto adverbial de lugar. Se a preposição em for substituída pela preposição a ou pela preposição de, substitui-se onde por aonde donde, respectivamente. Por exemplo:

- O sítio aonde fui é aprazível.
- A cidade donde vim é belíssima.

Será Pronome Relativo Indefinido, quando puder ser substituído por O lugar em que. Por exemplo:

- Eu nasci onde você nasceu.
- Eu nasci no lugar em que você nasceu.

Outro exemplo:

- Eu conheço a cidade. Sua sobrinha mora na cidade.

Substantivo repetido = cidade
Colocação do pronome após o substantivo = Eu conheço a cidade que...
Restante da outra oração = ... sua sobrinha mora.
Junção de tudo = Eu conheço a cidade que sua sobrinha mora.
O verbo morar exige a prep. em, pois quem mora, mora em algum lugar. Então:

Eu conheço a cidade em que sua sobrinha mora.
- Eu conheço a cidade na qual sua sobrinha mora.
- Eu conheço a cidade onde sua sobrinha mora.

*********************************

O Pronome Relativo Quanto:

Este pronome é sempre antecedido de tudo, todos, todas, concordando com esses elementos (tudo quanto, todos quantos, todas quantas).

Fale tudo quanto quiser falar.
- Traga todos quantos quiser trazer.
- Beba todas quantas quiser beber.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Série - Pegadinhas em Língua Portuguesa - Parte 1

Pegadinha 1
Ela quer se aparecer. 

Termo muito usado e completamente errado. Certos verbos são essencialmente pronominais como suicidar-se, por exemplo. Outros, porém, jamais podem ser usados com pronomes, como os verbos da dica anterior, simpatizar ou  antipatizar.

Trazemos um desses verbos que jamais são usados com pronome, que é o verbo aparecer. Esse é um típico verbo intransitivo. Não admite voz reflexiva, objetos de espécie alguma. Não se pode aparecer ninguém e, também, aparecer a si mesmo. Escreve-se corretamente, assim: 

Ela quer aparecer. 
******************************************************************************
Pegadinha 2

São os banqueiros que acabam lucrando. 

Neste tópico de dicas de português para concursos, a expressão é que não é genuinamente um verbo. Trata-se simplesmente de uma locução de realce, que a usamos, evidentemente, para dar destaque à ideia expressa na frase. 

Por tratar-se de um mero adorno frasal, essa locução é totalmente dispensável sem prejuízo para o sentido da oração. Exemplo: É os banqueiros que acabam lucrando. = Os banqueiros acabam lucrando. (A igualdade é de significação, é lógico.)  

Mais exemplos:  

Só nós dois  é que sabemos o quanto nos queremos bem. (Letra de canção portuguesa.) Seria ridículo dizer: Só nós dois somos que sabemos o quanto nos queremos bem. A frase original pode ser escrita, sem nenhum prejuízo para a sua significação: Só nós dois sabemos o quanto nos queremos bem.  

É eles  que representarão o presidente. Essa frase está correta. Estaria incorreta se fosse escrita assim:  São eles que representarão o presidente. Se eliminarmos do contexto a expressão de realce  é que, veremos que o sentido é o mesmo:  Eles representarão o presidente.  

Muito cuidado! Nas questões de português, sobre concordância verbal, as organizadoras de vestibulares e concursos públicos costumam usar, de vez em quando, frases desse tipo, induzindo o vestibulando ou concursando a considerá-las incorretas.  

Concluindo, indicamos como escrita correta da frase do topo a seguinte construção:  


É os banqueiros que acabam lucrando. 


ou 


Os banqueiros é que acabam lucrando.

Lembrar: é que – é uma locução de realce.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Oração, Sujeito e Predicado

                                      

Veja esta oração:
O rei ama a rainha.

A oração é formada por palavras que encerram um sentido completo. Não há oração sem verbo.
Uma ou várias orações formam um período.
Um período pode ser simples ou composto.

Período Simples• O período simples é formado por uma só oração.
Exemplo: o rei casou-se com a rainha.

Período Composto• O período composto é formado por mais de uma oração.
Exemplo: O rei casou-se com a rainha, ama sua filha e vive feliz.

Nesse exemplo, há três verbos e, portanto, três orações.
As orações são formadas por sujeito e predicado.
O rei enfrentou mil perigos.
↓ ↓
Sujeito predicado
Esta frase é uma oração. Portanto, tem sujeito e predicado.

Sujeito
Sujeito é o ser que pratica a ação, é o ser do qual dizemos alguma coisa.
Para acharmos o sujeito de uma oração, geralmente perguntamos ao verbo: quem?
Quem enfrentou mil perigos?
O rei → sujeito.

Núcleo do sujeito
Núcleo do sujeito é o substantivo ou pronome que o forma. Não consideramos os artigos, os adjetivos, etc.
No caso da oração acima, o núcleo do sujeito é “rei” .

Sujeito simples - O sujeito é simples quando possui apenas um núcleo.
Exemplo: O rei enfrentou mil perigos.

núcleo do sujeito

Sujeito simples: o rei
Núcleo do sujeito: rei

Sujeito compostoo sujeito é composto quando possui mais de um núcleo.
Exemplo: O rei e a rainha enfrentaram mil perigos.
↓ ↓
núcleo núcleo

Sujeito composto: o rei e a rainha.
Núcleos do sujeito: rei, rainha.

Predicado - É tudo aquilo que declaramos sobre o sujeito da oração.
Tirando o sujeito da oração, o que sobra é o predicado.
No predicado, sempre há verbo.
Para acharmos o predicado, geralmente perguntamos ao sujeito: o que?
A resposta é o predicado.
O que fez o rei?
Enfrentou mil perigos → predicado.